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L excessive



Ponto de vista

Outro dia surpreendi uma mulher com um trinado de intensidade. Ela não achou que meu signo tinha a ver com o dela, não gostou. Talvez uma questão de grafia, de geografia. Algum desastre em campo semântico? Intenso, tá. Ela pensava que estava mais para extenso, ex tenso, e ia nisso de cenho franzido, sem peito para bater. Na porta.

Ela falava do raio de um homem. No caso, eu. Já imaginou o raio, o diâmetro daquele ventre que diminuía, como tudo o mais? E ela se perdendo na liberdade que tem qualquer pensamento de ir folheando desvãos. O que é? Armazena poses, gases, ilhas? Nada, nada, acho que são águas de indiferença, e não alcanço. Entre a perversidade e dias contados. Dor.

Um, dois, mil, cem. Dias. Saco. Onde está a corda? Quando vai ser puxada a maldita corda sem data?

Tédio, risada, ausência, ansiedade, festa, desespero, sexo, morte, tudo morando no mesmo barraco, vou lavando no mesmo tanque aquela antigüidade culposa de quem tem, ou supõe que tem imenso tempo a se dispor, amável, enquanto eu, favela de vias estreitas, muros podres, me banho na enseada de excessos que não, não me, não, SIM...! Acha que é fácil? Acha que dá pra se fiar em conclusões?

Quantas pessoas atiradas naquela cama, bel-prazer, vinil francês, para que fosse experimentada a morte nos olhos (assim) penetrados? É, são meus ensaios, quer me dizer algo sobre isso? Acha que a mágoa é só sua, né, nega? Ou então que sou alguma espécie de super-star literário. Quem sabe?

Agora tento tocar as extremidades do silêncio como quem toca entranhas de pessoas, e alcança o que mede, indo até os cotovelos, se pudesse entrava com cabeça e mais, ah, cabeça que não me deixa, não pára o que pensa, não cessa, não pensa dentro de você e te alcança o coração, minha querida, não dorme.

Prenhe às avessas, espero a grande chaga de tudo, aquela que já faz parte do meu café com bolo de chuva, da ordem dada à empregada em guizo monocórdio, da deusa-filha que me vê, mesmo sem pousar olhar, dos finais de semana quase científicos, das esporas de fazer andar os animais, do eu te amo e eu te coiso, vida, em eu vazio tudo dentro e fora, cava de despedida, no que se evita, à cata de cada vez mais inviáveis conjunções de sentidos para

abrir, OLHOS

e, num ponto do todo, ou seja, no inverossímil, como o que há, poeira estelar, em plena noite, luz de gigantes nas rotas do magnético: a filha, estrada inteira e única de reversão, me olha, devolvendo-me as duas palavras - amor e depois. Isso tudo. Enquanto terno.



Escrito por izabel xarru às 19h15
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